domingo, 8 de janeiro de 2017

CURANDO A DOR

Quando a noite cai
Eu sinto a falta 
Que você me faz  
Quando o dia vem
Sinto saudades 
De você, meu bem 

Quando a noite cai
Eu sinto a falta 
Que você me faz  
Quando o dia vem
Sinto saudades 
De você, meu bem 

Penso em você 
De segunda a sexta-feira
Vou descendo uma ladeira 
De tristeza e solidão 
Mas se à tardinha 
Alguém pede uma abrideira
Depois da décima terceira 
Já curei meu coração 

Quando a noite cai...

Penso em você 
Todo dia, toda hora
Tô pensando aqui, agora 
Triste fim de uma paixão 
Mas se um cavaco
Chega, senta e chora
Sinto uma leve melhora 
E não largo mais meu violão

Quando a noite cai...

Penso eu você 
Quando estou sozinho em casa
O remorso me abraça 
Choro com qualquer novela
Já tentei quase tudo 
E a dor não passa
Tomo mais uma cachaça
E vou correndo pra Portela

Quando a noite cai...

MAL PERDEDOR

Pensei que pudesse deixar
De te amar e sofrer 
Mas bastou só te ver
Com outro a dançar
Para o mundo acabar
Pro meu mundo ruir

Procurei pelo Andaraí 
Uma mesa de bar
Que pudesse aplacar
A saudade de ti
Apagar o que eu vi
De uma vez me curar

Encontrei uma roda, um luar
Tamborim, violão 
Teve um samba cancão
Que tentou me salvar
Mas alguém foi puxar
Uma do Jamelão 

Eta dor, 
Não tem samba de amor
Nem cachaça demais
Que devolva a paz
Que arranque a raíz 
Do que faz infeliz
Este mal perdedor

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

NA HORA QUE EU FOR ACORDAR

Escuto passos
No sótão da minha cabeça
Que ela me esqueça
Pois já desisti dos seus braços

Por que ela insiste em dançar
Pela minha lembrança
Pra que tanta dança sem par
Será que ela não cansa

Será que ela desce de lá
Será que ela não vai dormir
Será que ela vai insistir
Pra eu subir e ficar pra jantar

Será que ela vai me beijar
Será que eu irei sucumbir
Será que ela irá me despir
Na hora que eu for acordar

Meu sonho não parta de mim
Que fique depois de raiar
O sol que não quis esquentar
O amor que eu jurei não ter fim

terça-feira, 15 de novembro de 2016

ROSA DISTRAÍDA

Duas rosas amarelas 
Dormiram em meu jardim 
Uma delas é aquela 
Já cravada até o fim 
Bem no meio do meu peito 
Essa aí não tem mais jeito 
É melhor deixar assim

É quem me rouba os pensamentos
Acalanta os meus tormentos 
Está sempre ali pra mim 
Eu também estou pra ela 
Faço mãos de jardineiro
Digo sempre não primeiro 
Pra depois dizer que sim

E afago seus cabelos
Dou um cheiro em seu pescoço
Faço sempre um alvoroço
Faço festa em seu olhar
Essa aí é uma delas
Dessas duas rosas belas
Que estavam a sonhar

A outra me apareceu do nada
No avançar da madrugada
Que eu nem a vi chegar
Enroscou-se na primeira
E brincaram a noite inteira
Misturaram seus carpelos
E dormiram no sofá

Deitadinhas lado a lado
Expressavam a leveza
De um casal apaixonado
Nunca vi tanta beleza
Como a flora se supera
Despertando a primavera
Num canteiro abandonado

Ah, essas flores coloridas
Já nasceram distraídas
Umas nem se sabem flor
Exibindo suas pétalas
Vão dormindo descuidadas
Estão sempre apaixonadas
Exalando tanto amor

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O NASCIMENTO DE MARIA

Então teve aquele dia
Que a cama estava feita
Que o luar ficou na espreita
E que ela iria se entregar

Que ela iria namorar
Como diz a poesia
Ao sabor da maresia
Com o vento a lhe soprar

Esquecera a agonia
De não ser um dia aceita
Jogou fora a receita
Resolveu se reinventar

Já que é pra se molhar
Deixa vir a chuva fria
Nunca mais retornaria
Ao que fora o seu lugar

E brincou de se pintar
Encontrara a sua seita
Aceitou-se imperfeita
Para enfim se encantar

E deixou-se abraçar
Sua boca ainda tremia
Pela febre do desejo
Foi assim, naquele beijo

Que nasceu então Maria

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

DE ILHA EM TORNO DO MAR

Foi num desses dias claros
Desses de sol de primavera
Depois de tão longa espera
Que ela se encontrou no mar


Pois sempre acabava n’água
Não importava a trilha
Aí que ela entendeu, sou ilha
Dessas difíceis de alcançar


Por isso que resgato náufragos
Por isso que a passagem é breve
Por isso que ninguém se atreve
A morar neste meu lugar


Agora tudo faz sentido
O beijo sempre aventureiro
A fuga feito prisioneiro
O desespero de não se afogar


E a ilha terminava sempre sozinha
Sei disso porque vivo nela
E vejo da minha janela
Quem chega e quem volta pro mar


Cheguei aqui há algum tempo
Vim num vento maroto
E mesmo eu sendo garoto
Resolvi a ilha explorar


Acabei encantado com ela
Seus montes, nascentes, riachos
O sol por detrás dos seus cachos
Que eu acho que vim pra ficar


Ela também me venera
E quando alguém vai embora
Eu corro pro lado de fora
Prontinho pra gente brincar


É quando mergulho nas ondas
É quando eu corro na areia
Até que alguma sereia
Vem pra esses lados de cá


Daí ela perde o seu rumo
Fica toda boba e contente
Pensando que é continente
Esquece que é ilha do mar


E cai no canto da moça
Se deixa levar livremente
E fica à deriva a demente
Arrisca até encalhar


Mas sereia é bicho ligeiro
Não fica sem ter lua cheia
Depois que a ilha incendeia
Foge pra não se queimar


Ficamos nós e as cinzas
Brincando nosso carnaval
Reescrevendo o nosso final
De ilha em torno do mar

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

JOANA

Joana, eu quis o teu amor
Joana, eu tanto quis te amar
Joana, ya no te quiero amor,
Quiero el sabor
Joana, Yo quiero te probar

Quiero te probar en noche con la luna llena
Quiero que tus lábios vengan me arrebatar
Quiero te dejar las marcas que valdrá la pena
Que venhas serena para se desvirginar

Quero que teu corpo implore meu tocar macio
Quiero todo este vacío para completar
Quero que teu mar receba as águas do meu rio
Quero aquele arrepio antes de gozar

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O MEU CONFORTO É TE SABER MEU PAR

Será que novamente o mar será meu pranto?
Será o tanto que devo chorar?
Por naufragar demais me recolhi num canto
Para esperar o vendaval passar

Porém agora qualquer brisa assusta
Ya no me gusta enfrentar el mar
Apesar de boa, a briga não foi justa
Ainda me custa um tanto acreditar

Que esse teu verde será calmaria
Que eu não iria nele me afogar
Perder a carta da pirataria
Corso sem rei no mar do teu olhar

Que o teu sorriso não me mataria
Que eu morreria só por te beijar
Morrer mil vezes me acalentaria
Tua boca iria então me libertar

Depois de livre eu me enroscaria
Nos teus cabelos a me embaraçar
Então diria para a ventania
Pode soprar que não vou arredar

Se no teu colo deitarei pra sempre
Ninguém me tira desse meu lugar
Por te amar assim perdidamente
Inconsequente quero te mostrar

Que mudarei também a tua vida
Se a ferida em mim cicatrizar
Sol e luar não fazem despedida
Se estás perdida deixa eu te guiar

Perde esse medo e vem matar a sede
Comprei a rede, só falta instalar
Tanto lutamos pra quebrar paredes
Não tem mais caixa pra nos encaixar

Vem me abraçar, me grudar no teu corpo
Quem já foi torto quer se endireitar
De tanto mar, nunca serei mais porto
O meu conforto é te saber meu par

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

VERDES CACHOS

Soubessem dos seus verdes cachos
Tantos machos se converteriam
Vestiriam delicadas sedas
Outras perdas não lamentariam

Não seriam sempre fervorosos
Outros troços que nem sei dizer
Para ter lugar no seu pescoço
Vale o esforço pra no fim morrer

Eu, que acordo pensando em você
Adormeço desse mesmo jeito
Se meu peito para de bater
Ao lhe ver esconde esse defeito

Vai falhando por aí confuso
Noutro fuso, num outro país
Ser feliz mesmo sendo intruso
Sem ter uso fica a cicatriz

Mas se encosto meu corpo no seu
Todo o breu do mundo se ilumina
Uma sina? Diga, espelho meu
Quem sou eu no verde da menina

Uma brisa que lhe sopra leve
Que é tão breve quanto se insinua
Cada lua que não se atreve
Que faz greve e não sai pra rua

Uma chuva que lhe molha a face
Uma fase de encantamento
Pensamento que não se bastasse
Precisasse ter o seu momento

Um momento de pensar vazio
Quando o rio segue para o mar
Sem cansar, deslizar macio
Desvarios de se apaixonar

Pois o amor não tem restrição
Nem paixão tem sequer censura
A loucura tem sempre razão
Verdes cachos dessa criatura

quinta-feira, 7 de julho de 2016

MEDO

Se nego a vida é por saber da morte
Que tive a sorte de viver um dia.
A faca esfria, mas amor, o corte...

Aponta ao norte da minha agonia.


Ainda tenho medo do escuro,
Ainda curo a dor de ser feliz.
O que eu fiz pensando no futuro
Já não procuro ao ver a cicatriz.


Vou caminhando numa nova estrada
Pela calçada, não me atrevo à rua;
Da madrugada já me basta a lua,


Que continua a aparecer do nada,
Que insinua à noite, na calada
Que minha amada por aí flutua.